A pandemia da COVID-19 nos fez modificar nosso cotidiano, incorporando a ele novos hábitos como o uso de máscaras, álcool em gel, tapetes higiênicos, além da lavagem frequente das mãos com água e sabão. Outra mudança significativa foi o isolamento social que até o momento, nos impôs medidas restritivas com o fechamento de cinemas, restaurantes, academias, comércio e escolas e universidades. A Educação foi uma das áreas mais impactadas. Segundo pesquisa da Unesco, a interrupção das aulas presenciais afetou mais de 90% da população estudantil mundial.

Diante desse cenário, escolas públicas e privadas e universidades tiveram que buscar mecanismos para manter o aprendizado e o vínculo entre aluno e professor. As soluções encontradas foram muitas e diversas: antecipação das férias, parceria com canais de televisão aberta para transmitir conteúdo acadêmico, plataformas online de ensino, grupos de WhatsApp para troca de vídeos e áudios, envio de material impresso para a casa dos alunos pelo correio ou transporte, entre outros caminhos encontrados pelas redes municipal e estadual de ensino.

Agora, nós estamos na fase de reabertura da economia e na flexibilização de algumas medidas de isolamento. Com isso, a pergunta que pais, alunos, professores e demais profissionais da Educação estão se fazendo é: quando as aulas voltam e quais as medidas de segurança serão adotadas? Em São Paulo, a rede estadual está elaborando um plano que prevê retomar as classes presenciais em setembro. Já no Rio de Janeiro, a reabertura das unidades escolares dependerá da decretação de um estágio de “bandeira verde” para o coronavírus, determinada pela Secretaria estadual de Saúde. A Secretaria de Estado de Educação solicitou que a área fosse a última a voltar, principalmente porque 80% dos servidores tem mais de 45 anos e a maioria é do grupo de risco.

Ações de segurança voltadas para a saúde são apenas um aspecto do protocolo de retorno. O desafio pedagógico é outro que merece ser planejado com muita responsabilidade levando em consideração uma política de recuperação de estudos paralela e uma avaliação igual para todos que vai medir o nível de aprendizado dos estudantes. O mesmo vale para docentes e demais funcionários, que vão demandar um olhar especial para entendermos também como a pandemia os afetou – muitos professores passaram do quadro negro para tela do computador ou celular de forma abrupta.

Referência no ensino a distância, a Fundação Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro, órgão vinculado à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, também precisou se adaptar. Com a necessidade do isolamento social, os polos tiveram que ser fechados. As provas, que antes eram feitas presencialmente nesses locais, precisaram ser transferidas para a mesma plataforma onde são realizadas as aulas e as sessões de tutoria foram suspensas. Não apenas o Cecierj, mas todas as universidades que compõem o Consórcio Cederj precisaram mudar as suas práticas.

Para entender esse cenário e pensar em ações futuras baseadas no conhecimento da realidade dos alunos, a Fundação Cecierj realizou uma pesquisa com estudantes sobre o período de isolamento social e seu impacto na realização das avaliações. É preciso saber, por exemplo, qual a forma que os alunos utilizaram para acessar a plataforma, como eles se sentiram diante da necessidade de manter-se no curso e como a pandemia impactou o processo de estudos.

Estudantes das sete instituições, que oferecem curso no Consórcio Cederj, e de todos os 34 polos, participaram da pesquisa. Mais de nove mil pessoas responderam o questionário, o que representa 26% dos 34 mil alunos ativos da instituição. 65% se identificaram como sendo do gênero feminino, assim como um predomínio das faixas etárias de 23 a 28 anos e de 29 a 34 anos, representando mais de 40% do total dos respondentes.

Descobrimos que 90% dos estudantes que responderam o questionário acessaram a plataforma pela internet em casa, através de wifi banda larga. Outro dado interessante é que 71,4% utilizaram o celular para utilizar a ferramenta. E a preferência é pelo período tarde e noite, correspondendo a 51,2% e 81,3% respectivamente.

A pesquisa quis saber também o percentual de alunos que fizeram as avaliações do semestre, já realizadas pela plataforma. Observamos que quase 95% dos estudantes fez pelo menos uma das provas, sendo que aproximadamente 90% fez as duas. A maioria dos estudantes, que não fez pelo menos um dos testes, relatou que perdeu o prazo de envio (39,1%), mas um grande percentual (31%) respondeu que não teve condições psicológicas para estudar.

Saber, por exemplo, a forma utilizada para acessar a plataforma é muito importante para o planejamento das provas e para avaliar a melhor forma de disponibilizar o material de estudo. Um dado interessante foi o de alunos que utilizaram materiais do próprio Cederj para estudar, como pdf do livro didático (64,5%), materiais na plataforma (61,1%) e o livro didático impresso (50,3%). Identificamos que 65% dos alunos que responderam a pesquisa tiraram dúvidas no “Perguntas Frequentes”, elaborado pela Diretoria Acadêmica, a partir de dúvidas enviadas à Ouvidoria. 37,6% julgaram essencial o documento e quase 53% acharam que todas as informações foram importantes.

Pesquisas como essas são importantes para levantar os problemas enfrentados e elaborar iniciativas de aproximação. Uma sugestão é que professores, articuladores e mediadores mantenham um contato mais estreito com os estudantes. O trabalho na Educação deve ser transversalentre o administrativo e o pedagógico. Colher informações desse período será fundamental para aperfeiçoarmos a Educação no que estamos chamando de “novo normal”. Esse momento de isolamento, em que alunos e professores tiveram que ficarem casa, nos ofereceu boas oportunidades para enriquecer o ensino, desde o básico até o superior, com ferramentas de qualidade e aperfeiçoamento da educação à distância.

Crédito da foto: Fill Dutra