Ação promovida pelo Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI) fortalece a cooperação técnica entre instituições de ensino do Rio de Janeiro e amplia o debate sobre mediação escolar.
A Fundação Cecierj, por meio do seu Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI), realizou nesta quarta-feira (20/05) uma capacitação remota voltada para a equipe técnica, pedagógica e de monitores inclusivos do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) — Campus Belford Roxo. O treinamento, conduzido pela plataforma da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), atendeu a uma demanda da coordenação do Núcleo de Apoio à Pessoa com Necessidades Específicas (NAPNE) do instituto fluminense com o objetivo de fortalecer a formação profissional na área de mediação inclusiva.
Durante a sessão virtual, a equipe do NAI compartilhou a experiência consolidada da Fundação Cecierj na mediação de apoio voltada ao ensino superior semipresencial. Foram detalhados os fluxos de atendimento e as diretrizes aplicadas aos alunos com Necessidades Educacionais Especiais (NEE) que ingressam pelo Consórcio Cederj.
O presidente da Fundação Cecierj, Ricardo Piquet, destacou o impacto dessas parcerias para o fortalecimento da educação pública e acessível em todo o território fluminense:
“A Fundação Cecierj tem como missão não apenas oferecer um ensino a distância de qualidade, mas garantir que ele seja verdadeiramente democrático e inclusivo. Quando compartilhamos a nossa metodologia de acessibilidade com outras instituições de prestígio, como o IFRJ, fortalecemos uma rede pública de apoio que transforma a realidade dos estudantes com necessidades especiais”, destacou.
À frente da execução do treinamento e do desenvolvimento dessas metodologias, a coordenadora do NAI, Luciana Perdigão, explicou como a troca de saberes impacta o dia a dia do ambiente acadêmico:
“Nosso diferencial é o olhar para a individualidade. Não existe receita única para atender alunos laudados, como estudantes autistas, com deficiência auditiva ou altas habilidades. Realizamos uma anamnese inicial para compreender as limitações, mas, principalmente, as potencialidades de cada um. A partir daí, traçamos o atendimento personalizado”, explicou Luciana.
A iniciativa foi idealizada a partir do diálogo com a pedagoga Aline Samim, que lidera o NAPNE no campus do IFRJ, reforçando o caráter colaborativo entre as instituições.
Pilares e Base Normativa
O encontro teve como ponto de partida a Base Normativa da educação especial, com discursos fundamentados na Lei Brasileira de Inclusão (LBI – Lei nº 13.146/2015), que assegura o direito a sistemas educacionais inclusivos em todos os níveis de aprendizado.
Os participantes também conheceram de perto os pilares de atuação do NAI da Fundação Cecierj, que englobam desde o acolhimento e a anamnese inicial de alunos laudados até a adaptação de materiais pedagógicos e avaliações, além do fomento contínuo à formação das equipes.
Plano de Apoio Individualizado e papel do mediador
Um dos destaques da capacitação foi a apresentação do modelo estruturado do Plano de Apoio Individualizado (PAI). Utilizado pela Fundação Cecierj, o PAI funciona como uma ferramenta de investigação de históricos clínicos, delineamento de estratégias pedagógicas e monitoramento semestral contínuo das habilidades e dificuldades dos estudantes.
O treinamento ainda esclareceu as atribuições e os limites da atuação da tutoria de apoio. A função do mediador, que envolve suporte organizacional, mediação pedagógica em laboratórios, atuação como ledores, transcritores e tradução em Libras, visa dirimir barreiras arquitetônicas, atitudinais e pedagógicas, sem substituir a figura do professor regente da disciplina.





