Um trabalho de pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) está sendo um diferencial na formação dos alunos de licenciatura em Ciências Biológicas do Polo Cederj Itaocara, no norte fluminense. Eles estão tendo a oportunidade de, através do projeto de extensão Trilha Biotecnológica, produzir mudas de espécies arbóreas da Mata Atlântica ameaçadas de extinção com base em biotecnologia vegetal. O curso é ofertado no âmbito do Consórcio Cederj, administrado pela Fundação Cecierj, vinculada da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação.
A iniciativa incluiu a introdução de mudas de espécies arbóreas nativas produzidas por meio de técnicas de propagação in vitro e também via seminífera. Outros passos importantes foram o plantio pioneiro de muda de pau-brasil micropropagada no laboratório biotecnologia vegetal da UENF e a criação da Reserva Particular do Patrimônio Natural no Instituto Biasse Socioambiental, onde a Trilha Biotecnológica está sendo implantada.
Diretor do polo Cederj Itaocara, Anselmo Domingos Biasse elencou as contribuições que o projeto está trazendo tanto para os estudantes quanto para Itaocara: “auxiliar na creditação de atividades de extensão de alunos do ensino superior e promover a conscientização e a conservação ambiental da Mata Atlântica, a restauração e o repovoamento da biodiversidade no município”, destacou o professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia Vegetal, do Centro de Biociências e Biotecnologia.
O projeto de extensão Trilha Biotecnológica é um desdobramento da pesquisa ‘Implantação de uma Trilha Biotecnológica em um Fragmento de Mata Atlântica no município de Itaocara para Educação Ambiental e em Biotecnologia’, desenvolvido no Laboratório de Biologia Celular e Tecidual do Centro de Biociências e Biotecnologia, da UENF, e supervisão da professora Claudete Santa Catarina.
Os alunos do Cederj afirmam que o diferencial da extensão é a experiência de poder participar das atividades de laboratório e das que acontecem no campo. “No projeto Trilha Biotecnológica, trabalhamos com espécies nativas que são produzidas nos laboratórios da UENF. Essas mudas chegam através dos orientadores, nós as analisamos, plantamos, cuidamos, medimos, inserimos os dados que colhemos ao longo do tempo em planilhas e vamos acompanhando o desenvolvimento dessas plantas”, afirmou Anderson Soares.
Projeto relevante
Anderson Soares de Paula ingressou no Cederj no curso de Ciências Biológicas no vestibular do primeiro semestre de 2022 e está entusiasmado com as oportunidades que o projeto oferece. “Quando o discente busca um projeto de extensão desse gênero, ele amplia o horizonte dentro da universidade. O conhecimento que a gente adquire lá, o network com as outras pessoas e as oportunidades que aparecem são muito relevantes”, declarou.
Trabalhar sob a orientação de grandes pesquisadores é outro ponto positivo do projeto de extensão: “a oportunidade de trabalhar ao lado de pessoas como a professora Cristiane e o professor Anselmo, além de estar colocando em prática o conhecimento que nós estamos adquirindo, é um grande salto para conseguirmos uma vaga de mestrado, já que temos o conhecimento absorvido com as pessoas dessa área. É muito enriquecedor, inclusive para o trabalho final do curso”, ressaltou Anderson.
“Mão na massa”
Quem também está gostando de participar do projeto é Rafaela da Silva Telles Vieira, matriculada no oitavo período da licenciatura em Ciências Biológicas, que elaborar o trabalho de conclusão de curso a partir do Trilha Biotecnológica. “É diferente estar em um ambiente que colocamos literalmente a mão na massa e fornece muito aprendizado. Eu me sinto lisonjeada em participar dessa iniciativa e feliz por ter a oportunidade de estar em um lugar de tanto ensino”, declarou.
Na opinião dos alunos, participar da extensão é uma experiência enriquecedora. “Como bióloga essa iniciativa credita em minha formação conceitos e práticas sobre o meio ambiente, a importância da diversidade vegetal, a responsabilidade com a sustentabilidade e técnicas da biotecnologia, como a micropropagação vegetal, além de conhecimentos de conservação e preservação do meio ambiente, da diversidade de espécies arbóreas da Mata Atlântica e técnicas da biotecnologia”, disse a estudante Ana Cláudia Ferraz Xavier.





