Para Yago Eloy Nascimento, o diploma de Licenciatura em História pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), conquistado no Polo Piraí do Consórcio Cederj, foi muito mais que um certificado: foi a chave que abriu as portas do mestrado no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET/RJ), do doutorado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e de uma carreira literária focada no afeto e no letramento racial.

Yago Eloy. Foto: Bianca
O primeiro da família: “O estudo sempre devolve”
A jornada de Yago é marcada pela resiliência típica dos alunos da modalidade semipresencial. Durante cinco anos e meio, entre 2011 e 2016.2, ele conciliou a rotina com o sonho de estudar em uma universidade pública. “Sou o primeiro da minha família a ocupar esse lugar. O estudo devolve. Sempre devolve”, afirma o egresso, que recorda com carinho o suporte do coordenador do polo, Sr. Benedito, e de professores marcantes, como Renata Saavedra, que o acompanhou desde a matrícula até o lançamento de seus trabalhos autorais.

Reprodução. Foto: Bianca.
Formação que rompe barreiras acadêmicas
Diferente do que o senso comum pode sugerir, a educação a distância no Cederj prepara o aluno para os desafios mais rigorosos da academia presencial. Yago destaca que disciplinas como História da África e Tópicos em História da Escravidão foram o alicerce para sua trajetória na pós-graduação e sua atuação como gestor cultural em Itaguaí.
“Saímos do Cederj com uma formação voltada para a atuação na escola brasileira, entendendo que existem diversas pedagogias possíveis, que nos permitem ir além de um método de ensino tradicional”, explica o agora doutorando em Educação pela UERJ.
Literatura: Escrevendo novas narrativas de afeto
Incomodado com a falta de representatividade, onde, até 2021, menos de 4% dos livros infantis colocavam o homem negro como figura central de cuidado, Yago decidiu agir. Unindo sua pesquisa de mestrado em Relações Étnico-Raciais no Cefet/RJ ao seu lado artístico, ele lançou sua primeira obra voltada para o público infantil.
Atualmente, como servidor da Secretaria de Cultura de Itaguaí, ele utiliza o livro e sua formação para promover debates que rompam as barreiras do racismo estrutural. “Minha perspectiva é centralizar as narrativas de homens negros, representando-os com afeto, fugindo dos estigmas historicamente associados a esse grupo”, pontua o escritor, que já trabalha em seu segundo livro.

Reprodução. Foto: Bianca.
Reconhecimento e Impacto social
O trabalho de Yago Eloy já ganha destaque em veículos especializados e projetos de renovação política e social:
• Destaque na Mídia: Sua obra “Por onde anda meu pai?” foi listada pelo portal Mundo Negro como uma das 9 publicações essenciais de autores afro-brasileiros para celebrar o Dia Nacional do Livro Infantil.
• Transformação Social: O autor também foi pauta no RenovaBR, discutindo a diversidade em histórias infantis como ferramenta de mudança.
• Combate ao Epistemicídio: Seus textos buscam romper com o apagamento de saberes, colocando o cuidado e a paternidade negra no centro da cena literária.

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