Histórias inspiradas nos afagos, carinho, vínculos familiares e, às vezes, até nas cobranças pelo desempenho nos estudos já fazem parte do dia a dia da relação entre mães e filhos, avó e neta no ambiente universitário dos campi do Consórcio Cederj, no estado do Rio de Janeiro. Esta realidade revela um dado importante a respeito do consórcio coordenado pela Fundação Cecierj, vinculada da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação: a oferta de oportunidades de acesso ao diploma do ensino superior gratuito, em uma das melhores universidades públicas do país, deixou de ser apenas um sonho e se transformou em uma política pública que vem atraindo e beneficiando diversas famílias fluminenses.

No Polo Cederj no município de Magé, encontramos algumas dessas histórias e resolvemos contá-las nesta data para celebrarmos o Dia das Mães. A novidade é que na unidade, localizada na Baixada Fluminense, duas mães estão matriculadas com suas filhas em cursos de graduação que o polo oferece. Como tem coisas ligadas à oferta de ensino EaD que só acontecem com o Cederj, o polo conta também com uma avó e sua neta frequentando juntas a universidade.

Maternidade e Educação: Alunas do Polo Magé simbolizam o impacto do Cederj na vida das famílias fluminenses. Entre livros e desafios,Elizete ,Athena , Márcia e Maria Lua mostram que o apoio materno é combustível para a conclusão do ensino superior. Foto: Filipe Dutra

Aos 44 anos, Renata Francisco dos Santos do Couto está no último período do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas do Cederj, pela UERJ. Ela é mãe de duas filhas: Alice, 8, e Júlia Martins, 21, que também é aluna do Cederj da graduação em Administração, pela UFRRJ. “Eu senti a necessidade de me especializar, pois já estava trabalhando há cerca de dez anos em escola, e entre os cursos oferecidos o de Biologia foi o que mais me chamou a atenção. Acabei me apaixonando. Já a Júlia quer cursar relações internacionais, mas é um curso bastante concorrido. Como o curso de Administração tá no caminho, ela resolveu traçar uma outra rota”, explicou a mãe da Júlia. “Nossa relação é muito boa, encaramos como um apoio, uma estimulando e apoiando a outra sempre”, contou.

Exemplo de persistência e união: Renata Francisco dos Santos do Couto (44), formanda de Ciências Biológicas (Uerj/Cederj), e a filha Júlia Martins (21), aluna de Administração (UFRRJ/Cederj). O ensino a distância permitiu que mãe e filha trilhassem juntas o caminho acadêmico. Foto: Filipe Dutra

Afeto e companheirismo

Renata sempre teve uma relação de muito afeto e companheirismo com a filha, e disse que o fato de as duas estudarem juntas no mesmo polo universitário ajuda ainda mais a aproximação entre elas. Quando se refere à mãe, Júlia, que ingressou no Cederj incentivada por ela, também não poupa elogios e afirma que o seu ingresso na universidade tem muito a ver com o apoio que recebe de Renata. “Em todas as medidas, o incentivo dela é essencial, é ela quem me guia, tá ali (à disposição) pra mim em todos os momentos. Então, eu me sinto mais confiante, quando tenho o incentivo dela. A nossa relação é muito boa, porque ela é minha referência e espero um dia poder ser a dela. Mas, além disso, ela é meu suporte emocional”, afirmou.

O apoio aos filhos para valorizarem a educação é uma tradição que Renata herdou da família e repete o mesmo exemplo com os seus filhos. “Assim como meus pais, eu busco sempre estimular e incentivar minhas filhas, de modo geral a continuar estudando, aprendendo e evoluindo. É um exemplo de valorização da educação, superação e aprendizagem contínua”, explicou.

Mãe e filha declararam que adoram essa cumplicidade que as colocaram juntas na universidade. Júlia explicou o porquê. “Eu gosto muito. Ter alguém para ir comigo para as aulas, reclamar dos mesmos problemas, ter as mesmas inseguranças, é reconfortante, eu me sinto emocionalmente mais segura, porque ela provavelmente compartilha dos mesmos sentimentos”, disse a estudante de Administração.

Incentivo mútuo

Outra história de mãe e filha alunas do Cederj é a de Elizete Medeiros Santos Nery, 55, e Athena Nery, 23. As duas estão matriculadas no mesmo período da graduação em Licenciatura de Ciências Biológicas do Cederj, pela da UERJ. “Desde quando o Cederj chegou em Magé, tive muita curiosidade em saber como funcionava. Amigos elogiavam e fui incentivada por minha filha a fazer Biologia junto com ela, pois era uma vontade antiga que eu tinha. Uma incentivou a outra”, disse Elizete.

Educação em família: Elizete Medeiros Santos Nery (55) e a filha, Athena Nery (23), celebram a trajetória acadêmica no Cederj. Ambas cursam o mesmo período de Licenciatura em Ciências Biológicas na Uerj, no polo de Magé.Foto: Filipe Dutra

Ela já é formada em Letras e contou que a decisão de estudar Biologia surgiu depois que foi morar em um bairro de Magé rico em mata e manguezais. “Senti vontade de estudar Biologia, porém fui para a área de Letras, para fugir da Matemática (risos). Athena queria Psicologia, mas devido às circunstâncias do momento eu a incentivei a fazer Biologia, porque estava mais acessível e também porque era a segunda opção dela. Athena me incentivou a embarcar nessa e realizar uma vontade antiga. Incentivada pela minha filha e pelo pai dela, aqui estou eu no Cederj, estudando Biologia”, declarou Elizete.

Athena contou que cresceu “apaixonada” por Biologia. “Quando vi a oportunidade, nem pensei duas vezes e já puxei minha mãe junto, pois sei que é a paixão dela também”, declarou a estudante, que reafirmou que ela e a mãe são amigas muito próximas. “Nós nos ajudamos muito na graduação e estamos sempre juntas. Inclusive, temos os mesmos amigos na faculdade e andamos sempre em ‘panelinha’. Todos sempre ficam muito surpresos e acham interessantíssimo. Principalmente, por sermos tão grudadas”.

Quanto ao futuro, Athena disse que as duas querem seguir futuros profissionais parecidos. “Ela quer se aposentar na área da educação e buscar trabalhos voluntários relacionados à ecologia e manguezal. Eu quero seguir na pesquisa e educação ambiental. Acredito que temos muita vida acadêmica e profissional juntas para viver, e mal posso esperar para ver aonde o futuro vai nos levar”, declarou Athena.

“Nossa relação é ótima, de muita cumplicidade, respeito e carinho. Estudamos juntas sempre que podemos, uma sempre puxa a orelha da outra quando necessário. É incrível caminhar ao lado da minha filha e meu desejo é que ela realize as vontades e sonhos, que o estudo abra caminhos incríveis para o sucesso dela. Nunca imaginei estudar junto com minha filha, é contagiante”, afirmou Elizete.

Situação incomum

Encontrar avó e neta matriculadas na mesma faculdade não é uma situação comum. Mas no rol das histórias incríveis que remetem à maternidade que achamos no Cedej em Magé, nos deparamos com a pedagoga e psicóloga Márcia dos Santos Oliveira, 64 anos, atualmente aluna do 6º período de Licenciatura em Ciências Biológicas, pela UERJ, que é avó de Maria Lua Albuquerque Silva, 21 anos, que também é aluna de Biologia da UERJ, onde cursa o 9º período.

Educação entre gerações: A pedagoga e psicóloga Márcia dos Santos Oliveira (64), aluna do 6º período de Ciências Biológicas, e sua neta Maria Lua Albuquerque Silva (21), que cursa o 9º período da mesma graduação. Ambas estudam no Polo Cederj Magé pela Uerj. Foto: Filipe Dutra

Márcia contou que a sua família tem uma ligação muito grande com o Cederj. “Uma sobrinha já havia feito o curso de Ciências Biológicas, hoje já terminando o doutorado. Minha neta também foi fazer Ciências Biológicas e logo depois também fui fazer o mesmo curso. Não foi premeditado, mas elas abriram caminho para mim. Passei na prova (do Vestibular Cederj) e estou amando cursar a mesma graduação que elas”, declarou Márcia completando que a relação com sua neta é ótima. “Com muito amor. Me deixa orgulhosa e feliz por nós duas. Falo para todos que ela é minha neta. Todos ficam admirados e acham bacana avó e neta fazendo a graduação juntas”.

“Eu e minha avó temos uma relação muito boa, ela sempre foi exemplo de ter garra para atingir seus objetivos e isso sempre foi motivo de inspiração na família. Para mim, isso mostra que pude ter grandes exemplos de pessoas que valorizam a educação”, explicou Maria.

A avó Márcia acha que a maternidade é um aprendizado constante. “Quero o melhor para minha filha, para meu filho assim como para minhas netas. Vivemos a interseccionalidade, assim como nossos ancestrais: pobres, na negritude, (sobre) viventes na Baixada Fluminense, dentre outros marcadores da diferença”, afirmou.

Maria também valoriza muito a sua ancestralidade e reconhece na avó uma liderança carismática que sempre se destacou entre os familiares. “O papel da minha avó na nossa família é sempre nos lembrar de permanecermos juntos e saber apreciar uns aos outros enquanto indivíduos”, disse a neta de Márcia que mandou uma mensagem de carinho para a avó.

Relação maternal

A cerca de 70 quilômetros de Magé, no Polo Cederj da comunidade da Rocinha, na zona sul da capital, estudam Cássia Regina Jesus Silva, 68 anos, e seu filho Pedro Ivo Monteiro. Os dois estão matriculados no curso de Tecnologia em Gestão de Turismo do Cefet. Ela cursa o segundo período, ele está no primeiro.

Cássia Regina Jesus Silva e seu filho Pedro Ivo Monteiro, estudam Turismo no Polo Cederj Rocinha. Foto: Divulgação

A ideia pela escolha da carreira em Turismo partiu de Cássia, que disse que encara com muita naturalidade a relação maternal que se estende do ambiente familiar para a sala de aula na universidade. “A minha relação (com Pedro) é ótima, trocamos ideias e tiramos dúvidas um do outro, eu encaro a situação com muita naturalidade, e ele tem tido muita paciência em me ajudar com minhas dificuldades, e nossa relação de mãe e filho se torna mais amigável possível”, afirmou.

Pedro já é formado em Comunicação Social pela PUC, mas como ainda não encontrou oportunidades de trabalho resolveu aceitar a ideia de Cássia para investir na carreira de Turismo. “Escolhi por aconselhamento da minha mãe, devido a ser um curso que complementa minha outra formação e por ela me falar que é um curso que seria a minha ‘cara’. Minha mãe foi a pessoa que mais me incentivou. Por achar que o Turismo é um curso no qual eu posso aprimorar meus conhecimentos, por meio de uma graduação com mais prática que foge um pouco da teoria”, afirmou.

Sem cobranças

Pedro afirmou que ele e a sua mãe são bem parecidos, e que isso facilita na relação entre os dois. ”Às vezes, pode dar um choque, mas na maior parte do tempo temos uma relação maravilhosa. Já em relação à faculdade, em alguns aspectos um acaba ajudando o outro. Ela por estar em um período acima tem mais conhecimentos sobre o curso em si, e eu ajudo mais nas coisas mais práticas como usar o computador e questões mais tecnológicas. Não existe cobrança nenhuma na nossa relação, apenas compartilhamos nossas experiências”, explicou Pedro.

Cássia disse que a coisa mais significativa da oportunidade de trilhar o mesmo caminho acadêmico e profissional do filho é de fato a felicidade. “Nem idade e nem o tempo nos impedem de sermos felizes junto de quem amamos infinitamente, em uma mesma profissão, com a qual nos identificamos”, declarou.