Futuras professoras desenvolvem soluções tecnológicas para alunos neurodivergentes e fortalecem currículo no Museu Ciência e Vida
Unindo tecnologia e educação inclusiva, a 3ª Maratona Hackathon Meninas Normalistas reuniu 48 estudantes da rede pública no Museu Ciência e Vida, em Duque de Caxias,, nos dias 14 e 15 de maio. O evento, promovido pela Fundação Cecierj, desafiou as futuras docentes a desenvolverem soluções práticas para o aprendizado de alunos neurodivergentes, integrando conceitos de ciência e acessibilidade ao cotidiano escolar.

Estudantes aproveitaram os dois dias de evento para trocar experiências e aprender. Foto: Filipe Dutra
Um desafio com propósito e voz institucional
A escolha do tema “Neurodivergência” mergulhou as alunas no movimento STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática) para resolver problemas reais de inclusão. A diretora do Museu e idealizadora do projeto, Mônica Dahmouche, destacou:
“Estar com vocês literalmente me arrepia. A gente trabalha para vocês, para a população. A jovem professora que vai encarar as crianças na pré-escola precisa entender de tecnologia e estar preparada para esse futuro”, afirmou Mônica.

Mônica Dahmouche em pronunciamento na abertura da 3ª Maratona Hackathon. Foto: Filipe Dutra
Essa visão estratégica foi endossada pela alta gestão na abertura do evento. O presidente da Fundação Cecierj, Ricardo Piquet, incentivou a garra das competidoras: “Vocês vieram para cá para competir com criatividade e boas ideias. O Museu é um espaço voltado para a educação e gratuito”. O vice-presidente de Divulgação Científica e de Recursos Educacionais, Gabriel Costa, reforçou o legado da unidade: “É um privilégio estar nesse equipamento de grande qualidade promovendo eventos com jovens”. O diretor de Divulgação Científica Luiz Bento também saudou as estudantes na abertura: “Me preocupa e me motiva ver este auditório cheio. Levem essa experiência para o futuro de vocês. É isso que importa para a gente”.

O presidente da Fundação Cecierj, Ricardo Piquet, participa da cerimônia oficial de abertura do evento. Foto: Filipe Dutra
Mão na massa e o rigor técnico do NAI
No segundo dia, o foco total foi a execução. Ao todo, 48 alunas foram divididas em 13 grupos para criar protótipos que acolham o público neurodivergente com acessibilidade. Simone Pinto, da equipe de Educação e Produção Cultural do Museu, detalhou o rigor da banca avaliadora:
“As meninas foram avaliadas em quesitos como clareza, criatividade, viabilidade e, principalmente, acessibilidade. Para isso, convidamos especialistas como a psicóloga Liliana Luna e Luciana Perdigão, chefe do NAI (setor de Acessibilidade e Inclusão da Fundação Cecierj), que trouxe toda a sua qualificação para analisar esses trabalhos”, explicou Simone.

Luciana Perdigão, do NAI foi uma das avaliadoras dos projetos. Foto: Flávio Carvalho
Protagonismo em dobro: o projeto “Jovem Repórter”
Um diferencial marcante desta edição foi a cobertura feita pelas próprias estudantes através do projeto “Jovem Repórter”. Munidos de câmeras e microfones, eles registraram os bastidores e entrevistaram autoridades, garantindo um registro histórico feito sob a ótica da juventude.

Alunas do projeto “Jovem Repórter” durante captação de entrevistas e registros dos bastidores da maratona. Foto: Filipe Dutra
O impacto no currículo e na vida
Para o professor Thiago Guzmão (I.E. Sarah Kubitschek), o evento preenche uma lacuna acadêmica: “A formação de um professor sem essa vivência em museu fica um pouco esvaziada. É uma integração fundamental”. Esse sentimento é compartilhado pela aluna Maysa Alves, de 16 anos: “O Hackathon é importante para treinarmos a comunicação e explicarmos nossas ideias de forma objetiva”. Simone Pinto completou lembrando que a experiência abre portas: “Tivemos uma aluna que conseguiu um emprego em uma escola conceituada por conta da experiência do Hackathon no currículo”.

Além do aprendizado, a participação na maratona de inovação consolida-se como um diferencial estratégico no currículo das futuras docentes. Foto: Filipe Dutra
A consagração e o veredito
Após a maratona de apresentações de pitches e vídeos, o auditório conheceu as grandes vencedoras da 3ª edição. O primeiro lugar, premiado com medalha, troféu e brindes, um incentivo da Fundação Cecierj à leitura e ao acesso digital, foi para as meninas Ana Clara Silva, Letícia de Souza, Maria Laura e Júlia Viana, todas alunas do professor André Luiz Teixeira, do CIEP 341 Sebastião Pereira Pontes.

Da esquerda para a direita: Júlia, Ana Clara, André Luiz, Letícia e Maria Laura. Foto: Flávio Carvalho
O projeto vencedor foi do grupo intitulado “Grupo Montessori” e destacou-se por ser um jogo chamado “Alimentando o Sapinho”, desenvolvido para ajudar crianças neurodivergentes com a questão da fala e da respiração. Para a aluna Ana Clara Silva, integrante da equipe campeã, a vitória representa o fechamento de um ciclo de aprendizado: “Para nós, que crescemos com pessoas neurodivergentes na família e no convívio, é muito importante ver e também desenvolver ferramentas que as ajudem a evoluir”, afirmou Ana.





