O ser humano já registrava seus pensamentos e sentimentos nas rochas muito antes de desenvolver a escrita. Desde a pré-história, os nossos antepassados, às vezes, entalhavam pedras; noutras, raspavam a sua superfície alterada; e, eventualmente, pintavam as rochas. O método dependia da disponibilidade da “tinta”, da dureza das rochas e das ferramentas que eles tinham à mão. A essas pinturas e gravuras chamamos “arte rupestre”.

Há milhares de anos, povos do mundo todo têm produzido arte rupestre e, ainda hoje, vemos algumas dessas mensagens milenares! As mais antigas normalmente se encontram nas paredes de grutas e abrigos rochosos, onde estão protegidas do tempo. Em climas áridos, alguns exemplos de arte rupestre atravessaram até quinze milênios, a depender da técnica do artista, do tipo de rocha usada como “tela” e para qual direção ela aponta.

Podemos dividir a arte rupestre em dois tipos básicos: petróglifos e pictografias. O petróglifo é uma imagem entalhada na rocha, criando uma ranhura visível, ou apenas raspando uma superfície alterada, de modo a contrastar com a cor da rocha sã que está por baixo. E as pictografias são pinturas feitas com diferentes pigmentos: o carvão de uma fogueira, sangue de animais, além de minerais como o giz, a limonita ou a hematita.

Petróglifos e pictografias antigos são considerados um tesouro histórico e devem ser preservados! Porém, as gravuras e as pinturas atuais, feitas em sítios de interesse geológico ou arqueológico, configuram atos de vandalismo — uma vez desfigurada a rocha, torna-se muito difícil, ou mesmo impossível, restaurá-la! Portanto, precisamos conhecer e conservar, tanto a “tela”, que faz parte do nosso patrimônio natural, quanto a arte rupestre, que possui um valor cultural e histórico incalculável.

Referências

Texto: Rodrigo Monteiro