No dia 2 de março de 2006, a Fundação Cecierj dava um passo fundamental para sua consolidação como referência em educação e inovação no estado do Rio de Janeiro: a posse dos primeiros servidores concursados de sua história. Entre os aprovados estavam Mônica Dahmouche, Daniel Salvador e Any Bernstein, que integraram o seleto grupo de docentes contratados por meio de uma seleção que se tornou única — e que, até hoje, não teve nova edição para o cargo.

“É uma seleção única para docentes, estou falando única, porque não teve mais nenhuma, nem terá. Então, é uma carreira também em extinção aqui”, relembra Any Bernstein, que ingressou na Fundação com 30 anos de experiência na UFRJ e o desafio de ajudar a construir os cursos de graduação a distância do consórcio CEDERJ.

Um concurso para fazer história

O concurso de 2005 foi idealizado para atender às necessidades específicas da Fundação. Any explica: “Era necessário ter docentes com experiência em universidades e projetos de pesquisa para fazer a interface com as universidades. Precisava ser doutor e apresentar um projeto.”

Any Bernstein em seu trabalho na Fundação. Foto: Flávio Carvalho

Foram abertas vagas para licenciaturas em Química, Matemática e Física, cada uma com três oportunidades nas áreas de articulação acadêmica, divulgação científica e extensão. No caso da Química, Any assumiu a articulação acadêmica, Mônica a divulgação científica e um terceiro colega, já falecido, a extensão.

“Eu entrei meio iludida, porque achei que seria professora de ensino a distância”, confessa Any. “Mas os professores são da universidade. Eu só posso dar aula na pós-graduação, então acabei me vinculando à extensão”, relembra a servidora.

Construção do zero

A realidade se mostrou desafiadora. Any teve a missão de montar os cursos de licenciatura em Química do zero, começando pela implantação dos laboratórios nos polos da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), que aprovou o projeto em 2007. Já a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) demorou mais dois anos para dar o aval. Sua experiência nos trâmites universitários foi fundamental para viabilizar as aprovações.

Daniel Salvador, recém-doutor que morava em Minas Gerais, se encantou com o caráter inovador da instituição. “A Fundação me atraiu por ser um local que lidava com inovação tecnológica. Era uma instituição de vanguarda em trazer inovação para dentro da universidade pública.” Passadas duas décadas, o sentimento de privilégio permanece: “Ainda estou em uma instituição privilegiada, que busca sempre o novo, o próximo passo do processo educacional”, descreve o servidor.

Daniel Salvador em um dos eventos realizados pela Fundação Cecierj. Foto: Flávio Carvalho

Mônica Dahmouche, que tomou posse com a promessa de doar seu melhor à instituição, testemunhou transformações significativas. “Olho para trás e vejo o quanto a instituição cresceu”, afirma. Ela destaca a expansão do setor onde atua, que hoje é a vice-presidência científica e de recursos educacionais.

Foi nesse período que surgiram programas como a Caravana da Ciência, criada logo no início de sua trajetória. “Hoje temos o Museu Ciência e Vida, que já tem 15 anos, a Olimpíada de Ciência e Arte, o Cine Clube e outros”, enumera a responsável pelo Museu Ciência e Vida.

Aprendizado contínuo

Any reconhece os desafios na adaptação ao ensino a distância: “Fui aprendendo na prática, como os brasileiros fazem. Hoje vejo com prazer que evoluímos bastante e existe espaço para capacitação”, descreve Any.

Ao avaliar os 20 anos, Any oferece uma reflexão sobre a composição das equipes: “As equipes devem ter basicamente pessoas jovens, mas sempre com alguém mais experiente observando, para fazer a interface entre o que já existia e o que está sendo criado.”

Impacto na população

Ao longo dessas duas décadas, a Fundação ampliou consideravelmente seu alcance. “Uma das coisas que me alegra é o quão eclético somos. Atendemos a todas as faixas etárias da população”, celebra Mônica.

Ela destaca programas como a Rede Ceja, que permite a retomada dos estudos, a formação continuada da extensão, e o impacto transformador do consórcio CEDERJ: “Isso muda a vida de tantas pessoas que, se não fosse pelo consórcio, não teriam como fazer um curso superior. Transforma a vida e possibilita melhor qualidade de vida”, reflete a servidora.

Mônica Dahmouche em um dos eventos do Museu Ciência e Vida. Foto: Filipe Dutra

 

Desafios atuais

Mônica considera mais do que positivo o saldo do caminho percorrido: “Olho para trás e me orgulho muito do que eu, junto com meus colegas, conseguimos criar. Vamos formando a Fundação Cecierj nessa potência que ela é, reconhecida no Estado”, compartilha.

Para Daniel, a trajetória é motivo de satisfação. “Fazer acontecer”, resume ele sobre o dia a dia, avaliando seu espaço como educador e pesquisador. “Eu me considero um privilegiado, por estar numa instituição que está sempre com essa busca”, resume o servidor.

Any Bernstein sintetiza sua experiência: “A gente precisa ter uma bagagem para trazer daqui.” E conclui com uma saudação que ecoa o sentimento de todos que construíram essa história: “Viva a Fundação Cecierj e viva o seu quadro de servidores”, festeja Any.