Projeto “Cultura Científica para Todos” desenvolve primeira sessão de planetário para surdos do Brasil e audioguias para visitantes cegos

Foto: Acervo/Cecierj

Visitar um museu é, tradicionalmente, uma experiência visual. Mas como garantir que pessoas cegas também possam vivenciar esse espaço com autonomia? E como incluir o público surdo em uma experiência imersiva como a de um planetário? Essas perguntas estão sendo respondidas de forma pioneira pelo Museu Ciência e Vida, localizado em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Por meio do projeto “Cultura Científica para Todos”, realizado em parceria com a Conecta Acessibilidade e com financiamento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, o museu passa por um processo de transformação que já é considerado um marco histórico para a instituição.

Pioneirismo nacional: a primeira sessão de planetário para surdos

Segundo Mônica Dahmouche, coordenadora do Museu Ciência e Vida, o projeto representa um momento único para a ciência e a inclusão no país. Pela primeira vez, uma sessão de cúpula de planetário foi desenvolvida e disponibilizada especificamente para o público surdo.

“É um projeto completamente pioneiro. Vou me restringir a dizer que é pioneiro no Brasil. Não existe esse tipo de sessão de cúpula para o público surdo. Foi desenvolvido aqui pela nossa equipe, junto com a equipe da Conecta”, afirmou a coordenadora.

A iniciativa vai muito além de uma simples tradução. Trata-se de uma experiência imersiva pensada na língua natural do público, garantindo que a magia da astronomia seja acessível a todos.

Mais autonomia para pessoas cegas com audioguias

A transformação, no entanto, não se limita ao planetário. O projeto também promove a acessibilidade para pessoas cegas ou com baixa visão por meio da criação de audioguias para os quatro andares do museu. Os equipamentos vão descrever detalhadamente o espaço físico, as exposições, as salas e os ambientes, permitindo que esses visitantes possam se orientar, compreender e explorar o local com muito mais independência.

“Para além do público surdo, a gente também melhora as condições para o público com deficiência visual, que passa a ter acesso aos audioguias do museu para poder se deslocar com mais autonomia”, explicou Mônica.

“Mais autonomia e mais pertencimento”. A frase, que resume o espírito da iniciativa, ganha ainda mais força com a concretude dessas ações, que buscam garantir que todos possam vivenciar a experiência museológica plenamente.

Tecnologia, parceria e inspiração

Outro destaque do projeto é o aplicativo Libre-se, que está em fase de desenvolvimento e testes. A ferramenta está recebendo uma nova categoria que ensinará diversos sinais em Libras relacionados ao sistema solar, unindo astronomia e acessibilidade linguística.

Mônica Dahmouche pontua que esse trabalho é fruto de uma construção coletiva e do engajamento de longa data da equipe do museu com a causa da inclusão. Ela citou o trabalho da astrônoma Carolina Assis e destacou a importância da professora Vivian Rumjanek, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), como grande inspiração para o desenvolvimento das ações, especialmente as voltadas para o público surdo. Foi por meio dela, inclusive, que a parceria com a Conecta Acessibilidade se tornou possível.

O projeto “Cultura Científica para Todos” ainda está em execução, com cada etapa sendo cuidadosamente pensada para atender às necessidades reais dos visitantes. Mas a proposta, embasada por ações concretas e pioneiras, é que em breve o Museu Ciência e Vida se consolide como um espaço ainda mais inclusivo, mais humano e verdadeiramente acessível para todos.