Capacitação interna, conduzida pelo especialista Alessandro Câmara, utilizou material do Instituto Benjamin Constant para qualificar a produção de materiais acessíveis.

Nesta segunda-feira (27), profissionais e estagiários do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI) da Fundação Cecierj participaram de uma imersão técnica voltada ao aprimoramento de suas práticas institucionais. O grupo realizou uma oficina interna de Sistema Braille, ministrada por Alessandro Câmara, mestre em Ciências Políticas, doutorando em Ciência, Tecnologia e Inclusão, ambos pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e especialista em educação especial.

A atividade foi um treinamento específico para os integrantes do NAI, visando qualificar a produção de provas e materiais didáticos adaptados para os projetos da Fundação, como o Consórcio Cederj. Para garantir o rigor pedagógico, foi utilizada a apostila de exercícios do Instituto Benjamin Constant (IBC), referência nacional na área.

Durante a instrução, Alessandro Câmara fez questão de desmistificar conceitos básicos sobre o sistema.
“O Braile não é uma linguagem, é um sistema de escrita e leitura. Ele não altera a mecânica da estrutura léxica das palavras; é apenas uma adaptação que possibilita que a pessoa cega consiga ler e escrever “, explicou o instrutor.

O especialista Alessandro Câmara demonstra a utilização da máquina Perkins para a equipe do NAI. Foto: Flávio Carvalho

Foco na Autonomia e Inclusão

A iniciativa partiu de uma necessidade prática de acolhimento e suporte técnico dentro do próprio Núcleo. Segundo Luciana Perdigão, da Assessoria de Acessibilidade e Inclusão, a oficina visou capacitar as novas estagiárias tanto para o uso profissional quanto pessoal.

O especialista Alessandro Câmara demonstra a utilização da reglete, ferramenta que permite a escrita manual em relevo. Foto: Flávio Carvalho

“Uma das estagiárias tem baixa visão e demonstrou interesse no aprendizado. Essa oficina é a primeira de uma série que o NAI quer oferecer para os demais servidores que se interessarem sobre os recursos de acessibilidade explorados pelo Núcleo “, afirmou Luciana.

Profissionais do NAI acompanham demonstração técnica da máquina Perkins; o treinamento visa aprimorar a produção de materiais didáticos acessíveis. Foto: Flávio Carvalho

A estagiária Juciara Kellen destacou o valor desse suporte em sua trajetória: “Eu já passei por outro estágio em que fui mediadora e não tive nenhum tipo de suporte. Então isso aqui para mim é um luxo. A aula foi incrível”, destacou.

A estagiária do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão pratica a escrita braille na reglete, tendo ao fundo a apostila de referência do Instituto Benjamin Constant. Foto: Flávio Carvalho

Prática técnica

Os membros do NAI praticaram o uso de equipamentos como a reglete, espécie de régua onde se formata a escrita em Braile; a punção, instrumento usado para fazer o relevo, e a máquina Perkins. Sob a instrução de Alessandro, os profissionais tiveram demonstrações de desafios do aprendizado, como a inversão da escrita na reglete, que é feita da direita para a esquerda. “Uma das coisas muito complicadas para a pessoa aprender Braile é como ela vai conseguir entender essa inversão. Por isso, é preciso trabalhar o desenvolvimento tátil e a agilidade nas mãos “, detalhou o especialista.